Neste artigo, vamos explorar a mensagem principal do livro, destacando por que a maternidade pode ser considerada o mais exigente, duradouro, necessário e nobre dos trabalhos.


O que torna a maternidade o “trabalho mais importante do mundo”

1. Mais importante do que poder, fama e dinheiro

Segundo Camila Abadie, a sociedade contemporânea mede a relevância de um trabalho pelo impacto visível: decisões políticas, inovação tecnológica, recordes financeiros ou número de seguidores. Mas nenhum desses papéis existiria sem o trabalho materno que os antecedeu.

Antes de cada líder, artista ou gênio, houve uma mãe que alimentou, cuidou e sustentou sua vida nos primeiros anos. Esse “sim” silencioso das mulheres, muitas vezes esquecido, é o verdadeiro alicerce da civilização.


2. O mais exigente: formar seres humanos

Um famoso vídeo que circulou na internet apresentava uma vaga fictícia de “emprego” com os seguintes requisitos:

  • Disponibilidade integral (24 horas por dia, 7 dias por semana);
  • Sem salário, férias ou folgas;
  • Altíssimo grau de responsabilidade.

No fim, revelava-se que esse trabalho era o da mãe.

A metáfora resume bem a realidade: a maternidade exige uma constante atualização de competências. A mulher torna-se um pouco nutricionista, enfermeira, professora, psicóloga, conselheira — e, sobretudo, alguém que precisa aprender continuamente a superar os próprios limites em prol do outro.


3. O mais duradouro: não há aposentadoria

Diferente de qualquer profissão, a maternidade não tem desligamento formal. Uma vez mãe, para sempre mãe — mesmo que os filhos cresçam, mesmo que a relação se transforme.

A ciência confirma essa permanência através do fenômeno chamado microquimerismo fetal: células dos filhos permanecem no corpo da mãe por décadas, como vestígios biológicos desse vínculo eterno. Isso significa que a maternidade marca não apenas a memória, mas o corpo da mulher.


4. O mais necessário: base da saúde emocional

Pesquisas em psicologia e neurociência mostram que o bem-estar materno nos primeiros anos da infância é o fator mais determinante para o desenvolvimento saudável de uma criança — mais do que renda, escolaridade ou localização geográfica.

Um estudo longitudinal europeu apontou que o equilíbrio emocional da mãe impacta diretamente a resiliência, a autoestima e a saúde psicológica dos filhos. Sem vínculos afetivos consistentes, o risco de inseguranças e traumas aumenta consideravelmente.

Ou seja: a maternidade não é apenas biológica, mas também emocional e espiritual. O colo materno é o primeiro espaço de segurança no qual a vida se sustenta.


5. O mais nobre: amar sem garantias

Entre tantas expressões de maternidade, Camila Abadie destaca a adoção como um gesto de amor particularmente nobre. A mãe adotiva não é conduzida pela biologia, mas por uma decisão livre de amar.

Esse “sim” voluntário, oferecido sem garantias de retorno, revela uma grandeza moral comparável às mais altas expressões de altruísmo humano. Aqui, a maternidade ultrapassa o instinto e torna-se uma escolha consciente de doar-se.


Por que a maternidade é subestimada?

Apesar de sua importância inquestionável, a maternidade é muitas vezes desvalorizada. A cultura atual, movida pela busca incessante de produtividade e lucro, tende a enxergar como “invisível” tudo o que não gera retorno financeiro.

Assim, cuidar de um filho, acompanhar um idoso ou manter um lar parecem tarefas menores, quando na verdade são pilares silenciosos que sustentam a sociedade. Como lembra Camila Abadie, “celebramos os frutos e esquecemos as raízes”.


O valor transcendente do trabalho materno

Ao longo da história, mestres espirituais e filósofos ressaltaram a grandeza do amor e da doação. São Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Confúcio e Santo Agostinho entenderam que transformar o mundo não é o mesmo que comandá-lo.

Mas até esses grandes nomes só existiram porque uma mãe, antes deles, escolheu dizer “sim” à vida. Essa constatação simples, mas poderosa, mostra que a maternidade não é apenas biológica, mas também transcendental: um gesto que conecta gerações e repercute na eternidade.


Conclusão: o peso luminoso de um “sim”

O livro O trabalho mais importante do mundo é um convite à gratidão e ao reconhecimento. Ele nos lembra que antes de qualquer invenção, império ou obra-prima, houve braços que embalaram, olhos que vigiaram e corações que bateram por dois.

Reconhecer a maternidade como o trabalho mais importante do mundo não é romantizá-la ou idealizá-la, mas restaurar sua dignidade diante de uma cultura que insiste em diminuí-la.

Em última instância, trata-se de compreender que tudo o que somos começou em um ventre, em um colo, em um amor que não pediu aplausos — apenas disse “sim”.